
O El Niño continua ganhando força e pode atingir intensidade muito forte a partir de novembro de 2026. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, está no centro das atenções de órgãos meteorológicos internacionais e brasileiros devido aos possíveis impactos sobre o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a região conhecida como Niño 3.4 registrou anomalia de temperatura de +2,1 °C na atualização publicada em outubro. O indicador compara a temperatura da superfície do mar com a média histórica utilizada pelos pesquisadores para monitorar o fenômeno.
A informação também foi acompanhada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que, em boletim anterior, apontou mais de 95% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro de 2026.
Sul do Brasil pode registrar chuvas acima da média
Um dos pontos de maior atenção para os próximos meses está na Região Sul. O quinto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o INMET e outras instituições federais, apresenta uma tendência de chuvas acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
A previsão também contempla partes do Sudeste e do Centro-Oeste. No Rio Grande do Sul, entretanto, há uma tendência específica de temperaturas abaixo da média, diferentemente do cenário previsto para grande parte do território nacional.
No Paraná, a tendência de chuva acima da média para a Região Sul merece atenção, especialmente diante dos riscos associados a episódios de precipitação intensa, elevação dos rios e possíveis alagamentos. Isso não significa, porém, que todos os municípios terão excesso de chuva ou que eventos extremos ocorrerão necessariamente.
Fenômeno também pode intensificar a seca em outras regiões
Enquanto o Sul enfrenta uma tendência de maior volume de precipitação, o cenário é diferente em outras partes do Brasil.
Segundo o boletim mais recente, grande parte da Região Norte e áreas do Nordeste e do Centro-Oeste apresentam condições favoráveis à ocorrência de chuvas abaixo da média.
As temperaturas também devem permanecer acima da faixa considerada normal em quase todo o país, com destaque para a Região Norte.
Essa distribuição desigual pode aumentar os desafios relacionados à disponibilidade de água, à agricultura, à produção de alimentos e ao abastecimento de diferentes localidades.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
No Brasil, seus efeitos costumam ser percebidos de maneira diferente entre as regiões. Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Sul e a condições mais secas em partes do Norte e Nordeste, embora a intensidade e a distribuição dos impactos variem de um evento para outro.
Os especialistas ressaltam que a intensidade do fenômeno, isoladamente, não determina exatamente como será o tempo em cada município. Outros fatores atmosféricos e oceânicos também influenciam as condições meteorológicas.
Monitoramento deve continuar nos próximos meses
O quinto boletim do Painel El Niño 2026-2027 foi elaborado conjuntamente pelo INPE, INMET, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
As instituições reforçam a importância do acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas e dos alertas oficiais, especialmente em áreas sujeitas a alagamentos, inundações, estiagens e outros eventos extremos.
Para a população paranaense, a recomendação é acompanhar os comunicados da Defesa Civil e os avisos meteorológicos, mantendo atenção às condições do tempo durante a primavera e o verão.