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Cidades Todo mundo faz

O PERIGO DA GENERALIZAÇÃO

Generalização, que muitas das vezes começou dentro de nossas casas,

01/11/2020 15h03
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Por: Jomar Medeiros Fonte: Da Redação
O PERIGO DA GENERALIZAÇÃO

Todo mundo isso, todo mundo aquilo, todo mundo aquilo outro. Se um comerciante erra, o restante dos comerciantes correm o risco de serem taxados por aquele erro. Se um jovem age de forma inconsequente, toda a juventude pode ser vista da mesma forma. Se em uma família, um dos membros tem um comportamento agressivo, a família toda pode sofrer as consequências pelo comportamento de “um” membro familiar.

A psicóloga, escritora Mônica Montone alerta: “a generalização pode ser mais perigosa e danosa do que o preconceito. Porque o preconceito pode ser mudado com conhecimento; a generalização, não. A generalização leva a crenças absolutas”.

O pastor da Igreja Assembléia de Deus, Samuel Câmera, lembra que “generalizar é tornar geral, tornar comum, vulgarizar. Ao fazer generalizações, estamos tornando comum a muitos indivíduos algo que diz respeito apenas a um ou a poucos. Há o ditado clássico de que “uma andorinha só não faz verão”. Pelo mesmo motivo, um ou dois exemplos não bastam para estabelecer uma generalização defensável”.

Estas considerações de Mônica Montone e do pastor Samuel, nos faz refletir o quanto a cultura da “generalização” está entranhada dentro de nós. Nos dias atuais, questões de “bullying” (prática de atos violentos) vem sendo repensado pela sociedade. Junto com ele, somam-se a preocupação da cultura da “generalização”, que muitas das vezes começou dentro de nossas casas, com os bisavós, os avós, os pais, chegando até nós que continuamos a perpetuar a “crença” que o mundo é assim mesmo, que “pobre sempre será pobre”, que “rico sempre será rico”, que “uma vez bandido, nunca terá jeito”, e muitas outras frases que passamos a acreditar como verdades, quando não são. Quantos de nós dizemos: “o mundo não tem jeito. Tá cada dia pior. Todo mundo só quer ver os outros pelas costas”.

Isto não é verdade.

No mundo existem mais pessoas boas do que ruins. Mais pessoas generosas do que egoístas. Mais pessoas benevolentes do que cruéis. Em 2017, o livro “Os Anjos Bons da Nossa Natureza”, de Steven Arthur Pinker, psicólogo e linguista canadense naturalizado norte-americano, professor da Universidade Harvard e escritor de livros de divulgação científica, repercutiu no mundo das letras, abalando convicções pessimistas e de profetas do caos, tendo como foco a comprovação de que o mundo está melhor do que sempre foi.  Na obra, ele consegue comprovar o “Por que a violência diminuiu em todo o mundo”. No trajeto do livro, o autor analisa os diferentes períodos históricos em que a pacificação progrediu e mostra quais aspectos da natureza humana estiveram em jogo durante esses processos. “Anjos” da empatia, do autocontrole, do senso moral e da razão lutam pela natureza humana contra “demônios” como o da predação, o da vingança e o do sadismo. Consegue constatar por exemplo, que a taxa de homicídios em países europeus caiu entre 90% e 98% desde a Idade Média. 

Voltando a questão da “generalização”, o articulista Adriano Lesme faz a seguinte observação: “desde criança, somos alimentados por alguns conceitos que interpretamos como uma máxima e levamos conosco para o resto da vida. Em alguns casos, a generalização não causa tantos problemas, mas, em outros, pode causar injustiças, ódio e sofrimento. Quem nunca usou uma generalização em, pelo menos, uma piadinha? Quem nunca generalizou o caráter de uma pessoa e percebeu que cometeu uma injustiça? Certamente, várias situações estão passando por nossa cabeça agora. Pois bem, que tal refletirmos um pouco sobre isso?”.

Para quem deseja um mundo melhor, com mais fraternidade, mais amor ao próximo, sem preconceitos de raça, de cor de pele, de divisão social, precisa começar analisando a si mesmo. Analisar se em suas atitudes e comportamentos, não se está colocando “todo mundo” na mesma panela. Cada pessoa tem uma história que pode até ser parecida com a de outras pessoas, mas sempre tem pontos únicos e que na maioria das vezes desconhecemos. Colocar-se no lugar do outro que julgamos como “todo mundo”, também é necessário. Gostaríamos de passar por aquela situação de julgamento? Como será que sentiríamos se fossemos nós vivendo o que o outro está vivendo? Pastor Samuel Câmara ainda diz: “julgar, generalizando que está tudo errado, que ninguém presta, apenas por causa de alguns exemplos, é uma temeridade que beira a ignorância. Jesus ensinou: “Não julgueis segundo a aparência, e, sim, pela reta justiça” (João 7.24). Por isso, devemos aprender a fazer um raciocínio seguro. Julgar retamente depende de dados em número suficiente para uma generalização racional e, em um estágio ulterior, de novos fatos para verificá-la. Só assim a mente humana pode adquirir conhecimentos úteis e julgar com retidão. Se assim procedermos, talvez possamos nos alegrar de que nem tudo está perdido, que ainda existem pessoas de bem, que o mal pode ser vencido e que não nos esforçamos inutilmente para tornar a vida melhor e mais densa de sentido”.

Pessoas que analisam, refletem, e não seguem a “massa”, tendo as suas próprias opiniões, conseguem ter uma análise mais próxima da realidade sobre si mesmas, e sobre os outros. Reflitamos sobre como tem sido nossos procedimentos em termos de “generalização”.

 

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