Segunda, 20 de Setembro de 2021
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Cidades Reflexões

ELABORAÇÃO:

“A Palavra que falta para encerrarmos ciclos que já não nos servem mais”.

07/09/2020 16h31
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Por: Jomar Medeiros Fonte: Da Redação
ELABORAÇÃO:

Porque tantas pessoas que se consideram curadas de uma doença, de um vício, de um hábito ruim, de uma situação que lhe desagrada, voltam a passar pelas mesmas dificuldades? Para especialistas do comportamento humano, por falta de “elaboração” do problema vivenciado.

De acordo com o dicionário “Infopédia”, “elaboração psíquica”, é o termo utilizado na psicanálise e na psicologia clínica e que consiste numa função fundamental do psiquismo. Esta função caracteriza-se na capacidade psíquica que permite fazer face às tensões provocadas pelas modificações existentes no meio ambiente, ou pelas próprias modificações que ocorrem no próprio indivíduo. Por estas modificações internas entende-se todas as transformações físicas e psíquicas próprias do desenvolvimento normal de um sujeito. A “elaboração psíquica” é, assim, num sentido lato, a assimilação dos acontecimentos internos e externos ao sujeito.

Numa perspectiva psicanalítica, é a transformação da energia livre em energia ligada, o que permite aceder ao processo secundário e adiar a descarga da tensão sob forma física ou alucinatória. Esta “elaboração” é própria de adultos com um ego equilibrado, com capacidade para pensar sobre as coisas. A incapacidade de elaboração psíquica é, segundo Pierre Marty, um dos fatores de doenças psicossomáticas, já que, perante a inabilidade de pensar, o sujeito reencaminha a neurose para o próprio corpo. Daí, o desenvolvimento por exemplo de muitos tumores cancerígenos, doenças de pele, dores de cabeça sem causa aparente, medos, angústias, ansiedades, causadas pela falta de “elaboração” da perda de um emprego, do fim de um relacionamento, da morte de um ente querido, de um prejuízo financeiro, entre outros problemas a que o ser humano na Terra está sujeito a passar.

Um dos significados da palavra “elaboração”, é “preparação cuidadosa”. Não por um acaso, tantas pessoas que se consideram ex-fumantes, ex-alcoólatras, ex-dependentes químicos, de jogos de azar, e tantas outras compulsões, voltam a realizar os mesmos atos por não terem saído destas situações de forma cuidadosa. 

Na página www.psicanaliseclinica.com, encontramos interessante artigo que revela que Segmund Freud em 1914, tratou da questão no livro “Recordar, Repetir e Elaborar”. Quando decidimos por uma terapia, percebemos a importância de recordar o passado, para podermos elaborar um futuro melhor e mais seguro, com os cuidados devidos para não repetir os mesmos erros. Muitas das nossas quedas ou recaídas em situações que considerávamos superadas, se devem a vários acontecimentos de nossa infância, desejos reprimidos que estão arquivados em nosso inconsciente, e que diante de situações parecidas no presente momento voltam como gatilhos para repetirmos fatos ocorridos no passado. Freud dizia, que ao repetirmos as situações, não estamos recordando do que aconteceu e sim, as praticando novamente. É o caso de pessoas por exemplo, que sempre conviveram com situações de agressividade, e que agem assim sem uma explicação do porque o fazem. Temos ainda a questão das pessoas que se aposentam sem a “elaboração” de como preencher os espaços vazios que a profissão ocupava em suas vidas. Não por um acaso, o número de aposentados que entram em depressão ou morrem pouco tempo depois de se aposentarem, é considerável. Seguindo também neste raciocínio, temos as decisões não “elaboradas” de saídas de empregos, términos de relacionamentos, mudanças de cidades, e tantas outras decisões impetuosas que fazemos, e que acabam virando arrependimentos, depressões, culpas intermináveis para quem as tomou.

E como “elaborar” para deixar de cometer as situações que nos fazem mal? “Preparar cuidadosamente” uma nova forma de agir. E isto pode durar tempo...Alguns meses, alguns anos, uma vida inteira...Lembrar que a vida é feita de ciclos. O que tem nos colocado para baixo, emocionalmente, socialmente, financeiramente, devemos descartar de nossas vidas. Mas, sem virar as costas para o problema. Entendendo que o problema de alguma forma nos afeta, nos faz mal, e, portanto, necessário é encontrar maneiras de vencê-lo. Entra aí também a ressignificação. Se o que provoca a recaída é algo que ocorreu na infância, “elaborar”, que não se tem mais a mesma idade da criança que incorreu em um erro, em um medo, em um trauma. O adulto de hoje, deve olhar para o presente que está vivendo e que será o preparativo para o seu futuro. Sobre a morte de entes queridos, refletir que a morte faz parte da vida. Ninguém viverá para sempre na carne. Uns vivem mais, outros menos, mas todos os seres vivos morrerão um dia. O que fica de quem parte primeiro, são os bons momentos vividos, e que pode aquecer e confortar o coração de quem fica. O emprego que se vai, é a oportunidade de buscarmos novos horizontes, novos conhecimentos, novas aptidões. Os relacionamentos que terminam, é porque não estavam bons, mas não é o fim e sim um novo começo, um novo ciclo que se inicia e que trará novos sabores, novas compreensões de que a vida é o que fizermos dela.

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