Segunda, 20 de Setembro de 2021
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AS REDES SOCIAIS E OS “15 MINUTOS DE FAMA DE ANDY WARHOL”.

O Brasil hoje contabiliza “milhares” de infectologistas especializados no novo CORONAVÍRUS COVID 19.

29/06/2020 15h21
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Por: Jomar Medeiros Fonte: Da Redação
AS REDES SOCIAIS E OS “15 MINUTOS DE FAMA DE ANDY WARHOL”.

Como se diz no futebol em tempos de Copa do Mundo, que o Brasil tem um “técnico” em cada torcedor, em tempos do novo CORONAVÍRUS COVID 19, estamos acompanhando pelas redes sociais, aos milhares de “infectologistas especializados” na doença, cada um com seu diagnóstico, receita, opinião, ou método perfeito, sendo oferecido para quem se decidir a utilizá-los, com prováveis 100% de acerto.

O conceito de que de repente o Brasil passou a contar com milhares de “infectologistas especializados” na COVID 19, foi dito em uma entrevista pelo ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, durante a administração do ministro Luiz Henrique Mandetta, Wanderson de Oliveira, doutor e mestre em epidemiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (2016 e 2010), especialista em Geoprocessamento pela Universidade de Brasília (2005), especialista pelo Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS) pelo Centers For Disease Control And Prevention – CDC (2003), especialista pelo Programa de Epidemiologia para Gerentes de Saúde pela Johns Hopkins Bloomberg School Of Public Health (2004), especialista em Gestão da Qualidade em Serviços e graduado em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais. Possui mais de 20 anos de experiência profissional, sendo 16 anos no Ministério da Saúde onde atuou na coordenação da resposta nacional às Emergências Nacionais e/ou Internacionais

O epidemiologista tem um histórico de atuação junto Organização Mundial da Saúde, e faz parte de um grupo de profissionais da Saúde, que ajudaram a revelar os casos de “microcefalia” que atingiu alguns Estados do Nordeste brasileiro, entre 2015-2016, pela Síndrome da zika congênita.

Desde o mês de março, quando os primeiros casos de COVID 19 surgiram no país, são incontáveis as receitas caseiras, “médicos” entre aspas com seus diagnósticos maravilhosos, donas de casa, áudios, e tantas outras informações circulando nas redes sociais, tudo para que quem se proponha a segui-los, não contraia o perigoso vírus.

Esta exposição de tantas pessoas com suas receitas maravilhosas e perfeitas para acabar com a doença, nos leva a refletir sobre o que disse nos anos de 1960, Andy Warhol, pintor e cineasta norte-americano, um importante artista da Pop Art, lembrado por suas pinturas nas latas de sopa Campbell e principalmente pela sequência de retratos de Marilyn Monroe, de “que no futuro, todos teriam seus 15 minutos de fama”.

As redes sociais estão cheias de celebridades instantâneas, que através de vídeos ou comentários, podem alcançar de “repente”, centenas de milhares de pessoas, que “sem muita reflexão”, curtem, compartilham, dão suas opiniões, compram produtos, seguem os conselhos, e se formos perguntar porque assim agiram, dirão que não sabem.

 Andy Warhol nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, no dia 6 de agosto de 1928. Era filho de imigrantes tchecos que foram para os Estados Unidos na época da Primeira Guerra Mundial. Ainda jovem gostava de desenhar, pintar, cortar e colar imagens e de ir ao cinema. Durante o ensino médio teve aulas de arte na escola e no Museu Carnegie. Com o objetivo de se tornar ilustrador comercial, trabalhou na loja de departamentos Home. Estudou arte no Carnegie Institute of Technology, onde se graduou em 1949. Logo após concluir a faculdade mudou-se para Nova York. Começou a trabalhar como ilustrador para importantes revistas, além de fazer anúncios publicitários e displays para vitrines e lojas. Com seu estilo único, tornou-se um dos ilustradores mais bem sucedidos da década de 50, recebendo diversos prêmios. Em 1956, alguns trabalhos seus foram expostos no MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova York). Em 1961, Warhol fez suas primeiras pinturas pop, com base em quadrinhos e garrafas de Coca Cola. Em 1962, estreou a famosa série “Soup Can Campbell”. Em junho de 1962, começou sua produção de retratos de celebridades, usando a técnica da serigrafia, que permitia, a partir de fotografias, reproduzir em série com variação das cores. Ficaram famosos os rostos de Elvis Presley, Mona Lisa, Marilyn Monroe, Liz Taylor, Jacqueline Kennedy, além de Che Guevara. Em 1968, no catálogo de uma exposição de seus trabalhos artísticos em Estocolmo, o artista escreveu a frase que até os dias atuais serve como referência para o sucesso instantâneo: “no futuro, todos terão seus 15 minutos de fama”.

A questão da busca pelo “sucesso” nas redes sociais, mesmo que não entendamos nada do assunto, também tem a ver com a questão de uma das “fomes psicológicas” descrita pelo médico e psiquiatra naturalizado norte americano, Eric Berne, criador da “análise transacional”, que é o “Reconhecimento”. O ser humano tem a necessidade de ser reconhecido, e enquanto alguns buscam este reconhecimento através de muito estudo, trabalho e disciplina, outros farão qualquer negócio para serem vistos, terem seus nomes e imagens veiculados pelas redes sociais, mesmo que seja a custo de mentiras, as chamadas “fakes News”.

Quanto às “fakes News”, elas acabam fazendo muito sucesso, porque boa parte dos consumidores de redes sociais, não estão acostumados a verificar as fontes e “comparar” as mensagens que recebem, para saber se são falsas ou verdadeiras. Segundo pesquisa da “Kaspersky”, empresa de cibersegurança, 62% dos brasileiros não sabem identificar quando uma notícia é fake. O estudo “Iceberg Digital” analisou o nível de segurança cibernética de alguns países da América Latina para entender o tamanho da vulnerabilidade a que estão sujeitos. Apesar do resultado de brasileiros vulneráveis às fake news atingir mais da metade da população, em comparação ao Peru, essa taxa ainda é mais crítica - 79% da população não sabe identificar notícias falas. Em seguida, aparecem os colombianos (73%), chilenos (70%) e, por fim, os mexicanos e argentinos empatados com 66%. Dos 62% dos brasileiros, 2% ainda não estão familiarizados com o termo “fake news”.

Enquanto este quadro não mudar, muita gente continuará tendo “os seus 15 minutos de fama”, seja com sua receita caseira, seu remédio favorito, seu método de ensino que só existe em sua cabeça, mas que sempre terá alguém para “curtir”, “comentar”, ou “compartilhar”.

 

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