Domingo, 24 de Outubro de 2021
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Saúde Pandemia

Corona vírus e a Covid-19

A seguir algumas perguntas e respostas que tenho a convicção de responder

27/04/2020 13h58
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Por: Jomar Medeiros Fonte: Leandro Bonacin
Corona vírus e a Covid-19

Como não poderia deixar de ser diferente, o tema da coluna deste mês é o corona vírus e a Covid-19. Me habilito a falar dela uma vez que além da formação em Odontologia, tenho pós graduações em Saúde Pública, Meio Ambiente e Saúde Mental, além de lecionar Biologia em Curso Pré-vestibular.

Embora tenhamos um conhecimento geral em matéria de vírus, ou mais especificamente o Retrovírus, que leva esse nome por conter acído ribonucleico (RNA) ao invés de ácido Dessoxiribonucleico (DNA) em seu material genético, tudo nesse novo corona vírus é muito novo e desconhecido, para tal, dediquei horas de pesquisa em material “acadêmico” para achar algumas respostas e soluções práticas acerca do problema. A seguir algumas perguntas e respostas que tenho a convicção de responder:

1)   Qual a diferença de coronavírus e covid-19?

O novo coronavírus (já existiram muitos outros) é um ser vivo, que como todo vírus é um parasita intracelular obrigatório, seu nome científico é SARS-COV-2. Usa dessa cadeia de RNA para a partir do DNA de uma célula existente formar novos RNA e consequentemente se reproduzir, destruindo a célula hospedeira.

Covid-19 é o nome da doença, vem do Inglês CORONAVÍRUS DISEASE (doença do coronavírus) e o 19 se refere ao ano que foi descoberto. Essa doença viral parasita as hemácias que são células primordiais para o transporte de oxigênio no sangue.

O Novo coronavírus, é muito parecido com um coronavírus que infecta o morcego, e embora em 2015 houvessem testes laboratoriais com esse vírus e a partir dele fosse criado um novo vírus, não há, e nem haverá como descobrir como esse novo vírus veio a contaminar o ser humano, a única coisa que se sabe, é que os primeiros casos aconteceram na China, na província de Wuhan, na proximidades de um mercado onde se costuma vender animais exóticos vivos, ou recém abatidos para consumo como especiarias pela população mais rica.

2)   Por que o sintoma mais grave é a falta de ar?

Embora inicialmente, e ainda em muitos casos, a Covid-19 tem sido tratada como uma doença pulmonar, o que se está chegando a consenso é que ela se trata de uma doença hematológica. Existem em nossos pulmões células chamadas HEMACIAS, que possuem em seu interior uma substância chamada Hemoglobina. A Hemoglobina é a molécula que associada ao íon Ferro é quem transporta o Oxigênio do pulmão até todas as células do corpo, e trás de volta o Gás Carbônico (Oxihemoglobina e Carboxihemoglobina), quando há infecção por Coronavírus há a dissociação do grupo Heme da Hemoglobina, consequentemente liberando o ferro e destruindo sua capacidade de transporte de gases pelo sangue. Não havendo oxigenação da célula, ela entra em hipometabolismo e consequente morte. O ferro liberado, faz com que o pulmão fique com aspecto de vidro fosco (icced glass lung like)e a falta de ar é uma tentativa de se prover de oxigênio o sangue, mas se a maioria das hemácias já estiverem infectadas, nem mesmo a ventilação mecânica (o que se popularizou chamar de “respirador”) é eficiente, indo o paciente a óbito por incompetência metabólica. Há alguns dias, estudos sugerem que essas hemácias inativas tem alta capacidade de formação de EMBOLOS, ou seja, coágulos que atuam como ROLHAS, em nossos vasos, com capacidade de produzir uma EMBOLIA (acidente vascular cerebral, embolia pulmonar, infarto do miocárdio, etc).

3)   Tem remédio contra a Covid-19 ?

A exemplo de outras doenças virais, como a própria gripe, malária, AIDS ou uma simples herpes labial, a ÚNICA solução é não pegar o vírus, pra alguns consegue-se desenvolver a vacina que nada mais é que o próprio vírus morto ou atenuado, capaz de desencadear a resposta imune do hospedeiro e não causar a doença. TODO E QUALQUER REMÉDIO em doença viral trata-a apenas paliativamente ou sintomatologicamente de duas maneiras, ou cessando o processo de replicação viral, ou dando maior capacidade ao organismo de produzir anticorpos contra esse vírus e assim diminuir o tempo de duração do ciclo. A hidroxicloroquina, muito discutida, atua sob forma de COMPETIÇÃO, ou seja, ao invés do vírus se ligar ao grupo HEME, quem se liga é a hidroxicloroquina, todavia ela não inativa a hemácia, nem ao mesmo faz a deposição de ferro, assim, seu uso desde o início dos sintomas, faria com que a doença se manifestasse de forma mais branda. O maior problema aqui é que o vírus tem três formas de ligação na célula e a hidroxicloroquina apenas uma, desta forma ela atenuaria em 1/3 a infecção viral, isso com um grande potencial de criar reações adversas. A Azitromicina é uma antibiótico de largo espectro e portanto sua ação primaz é contra as bactérias. Descobriu-se ao acaso que ela tem ação sobre a replicação viral, diminuindo sua velocidade, assim o seu uso juntamente com a hidroxicloroquina visa além de prevenir uma infecção bacteriana secundária, após os pulmões estarem inflamados, também a diminuição do ciclo viral. Outra alternativa apresentada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, é o uso de um ANTIPARAZITÁRIO  (Annita), pois bem, sobres os antiparasitários há tempos  se sabe que eles tem ação “IN VITRO” contra determinados vírus, mas a ação em SERES VIVOS, é muito questionada, depois de descoberto sua ação In Vitro contra o coronavírus, está sendo testado em seres humanos, somente o tempo poderá dizer sobre sua eficácia, todavia na minha opinião acredito que repetirá outros estudos, onde a ação efetiva é apenas in vitro. Com a recente descoberta das tromboses e inflamações em outros órgãos devido à infecção das hemácias, novos medicamentos serão utilizados, não como forma de se deter o vírus e sim de atenuar os estragos por ele causado.

4)   Porque alguns pacientes estão no chamado GRUPO DE RISCO?

As ditas co-morbidades, são doenças que a pessoa já possui e em maior ou menor grau pode influenciar no processo de cura. No caso do diabetes, as hemácias do doente, produz a HEMOGLOBINA GLICADA, também bastante presente nos obesos, que é uma forma do organismo retirar a glicose livre do do sangue, uma vez que ele próprio, devido à doença, é incapaz de fazê-la; como o vírus ataca principalmente a hemoglobina, o que acontece nesses pacientes é um aumento da glicose sanguínea, causando um grande aumento de sua taxa sanguínea e consequentemente todos os males sistêmicos já muito bem conhecidos, assim, além do desequilíbrio hemodinâmico do transporte de oxigênio, esses pacientes também terão desequilíbrio da glicose sanguínea, levando-o mais facilmente à morte.

No caso das DPOCs (doenças pulmonares obstrutivas crônicas), causadas principalmente pelo tabagismo (Cigarro, Narguile etc), você já tem um pulmão debilitado, que ficará mais debilitado ainda com a infecção viral exacerbando o sintomas da SARS (síndrome respiratória aguda grave).

Uma vez instalada a COVID-19, como vimos haverá uma débito no transporte de oxigênio sanguíneo, e, como forma de compensar a falta de oxigênio celular, há um aumento nos batimentos cardíacos e uma tentativa de se bombear mais sangue pelos mesmos vasos, de forma que a pressão nesses vasos naturalmente aumenta, desta forma pacientes cardiopatas e hipertensos serão durante a covid-19 mais afetados por cardiopatias e hipertensões.

Como vimos então, a questão da co-morbidade x covid-19 depende de quanto essa co-morbidade é prejudicial ao paciente quando em associação às manifestações primazes da covid-19.

5)   Se já tive coronavírus, terei novamente? Como posso saber se já tive?

Ainda não se sabe sobre o comportamento tardio do coronavírus, levando em conta outros vírus, podemos ter alguns quadros referentes à isso: Se o comportamento for igual ao vírus da gripe, uma vez estando o paciente com o sistema imunológico competente, ela nunca mais desenvolverá aquele tipo de gripe, em outros casos como o vírus da herpes, ele pode ou não criar imunidade ao vírus, no caso negativo, os vírus ficam latentes no organismo, a pessoa não tem a doença, mas os vírus podem se manifestar mediante uma ação desencadeadora, que geralmente abaixa a imunidade do indivíduo (stress, sol, trauma). Já no caso da AIDS, por se tratar de infecção do próprio sistema imunológico, não se desenvolve anticorpos contra esse vírus, restando apenas o controle de sua replicação, transformando-a em uma doença crônica, porém sem cura. Ao que tudo indica, o coronavírus, é do tipo que se desenvolve a imunidade, todavia só o tempo poderá dizer do seu real comportamento.

Existem testes para a doença que detectam somente a presença do vírus, este teste, vai te dizer se você está ou não com a doença; ms também existe o teste imunológico, que detecta a presença de imunoglobulinas, que são anticorpos contra o vírus, desta forma, é feita a medição de IgG e IgM (imunoglobulinas do tipo G e do Tipo M). A positividade para o IgM significa que você está com a doença ATIVA, ou seja, naquele momento estou com a doença em curso. Se for positivo para IgG, significa que JÁ TIVE, a doença, e no caso de não haver reinfecção como falamos, você estaria CURADO.

6)   Isolamento x Distanciamento?

São duas atitudes bem diferentes. Se a pessoa é diagnosticada com a doença, ela e todos da sua família, devem ficar ISOLADOS, por 14 dias, isso implica em não ir ao trabalho, ou mesmo ao mercado, o doente deve ficar em cômodo restrito, sendo sua alimentação deixada na porta. Todos inclusive o doente devem usar máscara em todo tempo, e os sinais e sintomas monitorados constantemente.

O distanciamento visa promover a pouca circulação do vírus na sociedade, para isso, foram tomadas atitudes que visam sobretudo o menor contato possível entre as pessoas, essas atitudes vão desde o simples cumprimento com o cotovelo, passando pelo FICAR EM CASA, quando possível e até a utilização de barreiras mecânicas para contenção e/ou eliminação do vírus (álcool gel e máscaras). Todas essas medidas evitam que muitas pessoas peguem a covid-19 ao mesmo tempo, evitando assim que o sistema de saúde entre em colapso, como disse o grande ministro Mandetta, que por sinal foi irrepreensível no tempo que lá ficou, “no caso de colapso, você tem o plano de saúde, tem o dinheiro, tem até a ordem judicial; mas não tem onde ser atendido porque todo sistema, seja SUS ou particular já está ocupado por outros doentes”. Assim as medidas tomadas, embora causem enorme prejuízos a TODOS nós, são extremamente necessárias para evitar o colapso, dar tempo para a adequação de um plano de combate e principalmente esperar a ÚNICA solução definitiva do problema que é a VACINA. Não sabemos o tempo que isso irá demorar, sendo portando, a forma mais eficaz de equilibrar a balança SAÚDE X ECONOMIA, a adoção de medidas REGIONAIS dentro da realidade de cada município, ou até mesmo de cada Bairro em grandes cidades. As autoridades SANITÁRIAS, são as únicas que têm a real noção do problema e devem orientar as autoridades POLÍTICAS, nas atitudes a serem tomadas.

7)   Como não parar a minha vida?

Aquela vida que tínhamos até janeiro de 2020, acredito eu, nunca mais será a mesma depois do covid-19, isso não quer dizer que irá piorar ou até mesmo representar o fim da humanidade. Por hora, devemos tomar os cuidados necessários para continuarmos a fazer as atividades essenciais a nossa saúde ou sobrevivência, por exemplo: aqui na Bon´nA Odontologia Especializada, retiramos cadeiras da sala de espera, de modo que o paciente fique 2 metros distanciado dos outros, os horários marcados foram ampliados de modo que não haja espera, nem aglomeração, todos pacientes têm a temperatura aferida, é feita a desinfeção das mãos com álcool gel e quando da entrada no consultório é calçada uma sapatilha descartável, não é permitida a entrada de acompanhantes. Nós os profissionais temos também nossas temperaturas aferidas, como já estávamos acostumados ao uso de EPIs, apenas nos adequamos para o uso constante de equipamentos de proteção para procedimentos CRÍTICOS. Assim, mesmo que a consulta seja apenas um simples exame, estamos com duas máscaras (cirúrgica e n95), sobreviseira, avental, sapatilhas, luvas etc.... desta forma fica estabelecido um grau de controle de infecção altíssimo, propiciando ao paciente que ele continue seu tratamento, pois como já vimos, qualquer co-morbidade  pode ser um fator altamente complicador no desencadear da covid-19, portanto tenham o ODONTOLOGIA como serviço essencial de saúde, mas atentem se o lugar que vocês estão indo oferecem toda segurança necessária.

 

Por fim, tenho a esperança de sairmos dessa em um mundo muito diferente, menos egoísta, onde a consciência de que somos todos iguais seja impingida no coração de cada um dos 7 bilhões e meio de habitantes, e principalmente a certeza que ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO no meio de uma tempestade, e o único jeito de o levarmos a  um porto seguro é REMARMOS JUNTOS!

Leandro Filtre Bonacin
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