Segunda, 26 de Julho de 2021
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Polícia Homofobia no DF

PM gay do DF é punido por publicar vídeo falando sobre orientação sexual, e desabafa

Na segunda-feira, 5 de julho de 2021, o policial militar Henrique Harisson foi punido com uma "repreensão" por ter publicado ainda no ano passado, um vídeo no YouTube onde ele fala sobre sua orientação sexual. O documento aponta que o agente policial infringiu "preceitos éticos disciplinares" e transgrediu a disciplina da corporação.

13/07/2021 22h21
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Por: Jomar Medeiros Fonte: hugogloss.uol.com.br
 Segundo Henrique, a arma tratava-se de um simulacro. “Me imputaram por portar arma de fogo institucional em atividade estranha à PM. Policiais tem canais no You Tube, falam de armas e não há aplicação de repreensão. Eles querem prejudicar minha sexualida
Segundo Henrique, a arma tratava-se de um simulacro. “Me imputaram por portar arma de fogo institucional em atividade estranha à PM. Policiais tem canais no You Tube, falam de armas e não há aplicação de repreensão. Eles querem prejudicar minha sexualida

Por Isabella Manfrenato

Na publicação o PM Harisson explica como foi sua experiencia ao assumir sua sexualidade perante a corporação, descrevendo o ambiente como machista. "Eu tive problemas durante o curso de formação. Então fiz o vídeo falando sobre como foi essa experiencia, explicando como é passar por isso sendo gay. Não tem como eu falar de mim sem mencionar ou levar em conta que sou gay".

Disse o soldado ao O Globo, frisando que suas colocações foram dadas como civil, não como militar.

Henrique respondeu a uma sindicância na Corregedoria da PM por infrações dos artigos 40 que fala sobre "portar-se de maneira inconveniente ou sem postura" e do artigo 59 que repreende "discutir ou provocar discussão por qualquer veiculo de comunicação sobre assuntos políticos ou militares exceto se devidamente autorizado". Ainda de acordo com a nota de punição, pesou para repreensão o fato do PM colocar uma arma encima de uma cômoda durante a gravação do vídeo. 

"Sequer me perguntaram se a arma era verdadeira ou um brinquedo, pois fazia parte do cenário. Eu estava dentro de casa, gravando um vídeo, não estava usando a arma da corporação. O que eu acho mais estranho é que no Instagram há vários policiais postando videos com seus próprios armamentos, alguns desmontam as armas, outros filmam até atirando, então não é um tratamento isonômico, tentam me imputar alguma transgressão, mas apenas por minha orientação sexual" - declarou ele á redação.

O policial informou ainda que foi informado na véspera de seu casamento para que a arma fosse retida, ele foi restringindo a usa-la e assim, ele teria que ira ao trabalho desarmado.  "Quando pegaram minha arma, eu fiz uma denuncia na Câmara do Distrito Federal pedindo esclarecimento dos fatos e, por conta disso, abriram outra sindicância por eu faltar com a verdade.

A Sindicância a respeito da denúncia na Câmara, por sua vez, ainda está em aberto. 

“Todos os policiais cometem coisas piores e não são investigados. Os policiais que cometeram crime de homofobia contra mim estão com o processo sem andar. Comigo o procedimento anda e sou punido” – disparou o militar que por conta do episódio está afastado com laudo psiquiátrico.

“Depois que eu recebi a segunda sindicância, eu realmente não conseguia trabalhar porque eu ficava com medo de receber mais punição, ficava com medo de trabalhar”, desabafou.

A formatura

 

Os problemas de Henrique com a corporação começaram em janeiro de 2020 após sua formatura. Na ocasião, o policia publicou uma foto beijando o namorado ao lado de um casal lésbico, também se beijando. Nos dias seguintes, um áudio atribuído a um coronel da PM-DF começou a ser compartilhado. Nele, o oficial dizia, entre outras coisas que “a porção terminal do intestino é deles e eles fazem o que quiserem”. Harrison então fez uma denuncia sobre as ofensas e o caso passou a ser investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

Ao site UOL Harrison disse ter recebido apoio de outros colegas diante da situação. “Conheço muitos policiais que, no meu privado me enviaram mensagens de apoio, mas publicamente eles não fazem isso. Eles postam fotos sempre sozinhos, mesmo namorando, levam uma vida mais discreta, deixam de viver muita coisa. Eu nunca quis deixar de fazer isso porque eu tenho os mesmos direitos. Se os outros policiais podem eu também posso.eu não faço nada que os outros policiais não façam” – comentou.

Um dos fatores que que o motivou entrar na corporação, inclusive foram abordagens negativas que teve de policiais, pelo fato de ser gay. “Se eu sofrer homofobia na rua, eu tenho que ligar para polícia. Como eu vou ter esse respaldo se o policial que está pode ser alguém que luta contra minha existência? Quando eu entrei na polícia eu pensei nisso” – afirmou.

PM-DF se manifesta

Em nota, a Polícia Militar do DF informou que a corporação “sempre seguirá o devido processo legal dentro do arcabouço legislativo, respeitando sempre os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

“Todo processo administrativo realizado pela Polícia Militar também seguirá os preceitos da ampla defesa e do contraditório. Todos os procedimentos ora citados, até o presente momento, não foram findados em suas decisões, não tendo, portanto, até a presente data, qualquer tipo de solução, seja ela publicada para punir, arquivar ou tombar em Inquérito Policial Militar”, pontuou o comunicado.

A PM-DF ainda defendeu que no caso de divergências ou duvidas, “qualquer policial poderá solicitar junto à Corregedoria, por meio de seu defensor, o andamento das apurações”.