Quinta, 22 de Abril de 2021
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Saúde Líder em cloroquina

Líder em cloroquina, Vitória tem taxa de mortes por Covid 46% maior que a do país

Volume do remédio enviado pelo Ministério da Saúde seria suficiente para medicar 15% da população. Protocolo para "tratamento precoce", que não tem eficácia, foi adotado em 2020

29/03/2021 11h19
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Por: Jomar Medeiros Fonte: gazeta.com
Divulgação
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Entre todas as capitais brasileiras, Vitória foi a que, proporcionalmente à população, recebeu a maior quantidade de cloroquina do Ministério da Saúde. Em 2020, foram enviados ao município 54 mil comprimidos do medicamento, que não tem eficácia para o tratamento de Covid-19 e pode causar efeitos colaterais graves.

A quantidade de cloroquina recebida por Vitória seria suficiente para medicar 15% dos habitantes da cidade, cuja população era de 365 mil em 2020, de acordo com o IBGE. Segundo a Prefeitura de Vitória, menos da metade (32%) do medicamento enviado foi utilizada.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela revista piauí e considera apenas o que foi repassado pelo governo federal às capitais, sem contabilizar compras que possam ter sido feitas pelo Estado ou diretamente por municípios.

 Em julho do ano passado, a cloroquina foi incluída no protocolo municipal de Vitória para tratar pacientes com Covid-19. Na época, o prefeito era o médico Luciano Rezende (Cidadania). A decisão foi mantida pelo atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Até a noite desta quinta-feira (25), a Capital do Espírito Santo acumulava uma taxa de 209 mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes. O indicador é 46% maior do que a taxa brasileira, que, na mesma data, chegou a 143 mortes por 100 mil habitantes.

PROTOCOLO MUNICIPAL

A cloroquina é um medicamento utilizado para o tratamento da malária, mas virou uma bandeira política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Desde o início da pandemia, o chefe do Palácio do Planalto defende, sem qualquer embasamento científico, o uso do remédio contra a Covid-19.

Na gestão do general do Exército Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde chegou a mudar o protocolo para permitir a prescrição da cloroquina, mesmo com a recomendação de diversas autoridades na área, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para não utilizar o medicamento. Os antecessores de Pazuello, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, recusaram-se a fazer o mesmo.

Com a pressão popular para ter acesso aos remédios, graças à divulgação feita pelo presidente da República, prefeitos bolsonaristas no Espírito Santo passaram a incluir a cloroquina em seus protocolos. No entanto, isso também atingiu chefes do Executivo de espectro político oposto ao de Bolsonaro, como foi o caso de Luciano Rezende, ex-prefeito de Vitória.

Luciano nunca manifestou em público simpatia pelo presidente Jair Bolsonaro. Filiado ao Cidadania, partido de centro-esquerda, o prefeito de Vitória faz parte da base do governador Renato Casagrande (PSB), crítico da condução do governo federal na pandemia.

 Mas ao decidir por utilizar a cloroquina no protocolo municipal, Luciano, que é médico, ignorou a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que não indica o uso do medicamento contra Covid-19, e de infectologistas de renome no Estado. Na época, o prefeito alegou que adotou o chamado "tratamento precoce" por haver evidência científica e resultados positivos em vários locais do Brasil.

Quando Vitória implementou o protocolo, ainda não se sabia da gravidade dos efeitos colaterais do remédio, mas já era comprovada a ineficácia da cloroquina no tratamento para Covid-19. Autoridades, como a Sociedade Brasileira de Infectologia, por exemplo, haviam emitido um novo comunicado, recomendando que a cloroquina não fosse usada, devido à falta de benefício comprovado e ao potencial de toxicidade.

Procurado pela reportagem nesta quinta-feira (25), Luciano Rezende disse que a decisão foi tomada, na época, de acordo “com os dados disponíveis no momento, diante de uma emergência sanitária, sem nenhuma perspectiva de vacina ou tratamento de consenso”, e em conformidade com as orientações do Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES).

“Todas essas entidades médicas recomendavam a autonomia para os médicos que desejassem receitar medicações no tratamento precoce do coronavírus. Decisão tomada na emergência sanitária, em que não existia o consenso científico, que só é consolidado com tempo, estudos e pesquisas científicas”, afirmou.

Recentemente, a AMB recuou do posicionamento adotado em julho do ano passado e defendeu que o uso de cloroquina deve ser banido.

Questionado se ainda vê benefícios no medicamento, o ex-prefeito disse não ter como avaliar, no momento. “Penso que é preciso continuar acompanhando o debate científico, livre de ideologias de quaisquer aspectos, para ter um posicionamento seguro e de consenso no futuro”, ponderou.

 

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